Agrava a culpa dos açorianos livres, ninguém lhes define a alma e Até acreditam em Deus, na matéria e na eternidade da pobreza, somos católicos Quando o resto do mundo imita a violência de Cristo nascer todos os anos para Nos salvar de nós próprios, dos orgasmos e da cruel natureza humana, licença poética, São Paulo é o inventor do nosso cristianismo, disse a mulher, nem saberia do fim destes tempos, e com o tempo deixei de falar em português, como as minhas filhas e as mulheres da minha vida Nem Maria, nem José, precisam de cash na pátria, dinero caliente, like a rolling Stone, disse o poeta, Serão um hedge fund melancólico? How does it feel? Falarão de amor? Quem amas? Fomos colónia de presidiários, exportamos mão-de-obra para o Sul do Brasil, mineiros para o Norte do Canadá, operários para as fábricas, no tempo em que a América as tinha E Deus fomos nós, cuidado com a gramática, entre terramotos e um mar que só nos matou Uma linha para o Espírito Santo, estou convertido, nunca nos faltaram miseráveis para alimentar Escrevo para nos salvar, disse a mulher, Cristo era uma mulher das ilhas, Deus não tem sexo, será o tempo E a salvadora para um povo que perdeu a memória da agonia pela agonia, da misericórdia o café deste hotel está vazio, foram rezar pelo nascimento, Cristo, Cristo, Cristo, sem culpa inventou açorianos para nos libertar de Cristo outra vez E Belém era numas ilhas que nunca mais vi, nem saberia se tentasse, poema para ler em desespero, sem desejo, não poderia existir um Deus vingativo, justiceiro, escreverei matéria, o espaço da revolta do poema arruinado pela saudável falta de leitores Açorianos de todo mundo, uni-vos!, Jesus veio para nos salvar. |