O vídeo(vi na edição online do "Expresso") de uma professora do Porto, a ser agredida, numa aula de francês, lembrou-me um modesto caso que me passou pelas mãos quando era assessor jurídico de um presidente de uma região autónoma. Numa escola secundária de Ponta Delgada, 3 ou 4 alegados bandidos, adolescentes, filhos de gente rica, com pais com influência, sem grandes questões mentais, decidiram tentar incendiar a referida escola... Repito, decidiram, de livre vontade em protesto contra não sei o quê, tentar incendiar a referida escola. O meu parecer foi simples (apesar de nunca ter percebido a razão pela qual aquilo me ter chegado às mãos, pois teria pouca ou nenhuma competência funcional para o caso), sugerindo que a matéria fosse entregue ao Ministério Público para a respectiva investigação criminal (como é obrigatório para os funcionários públicos). Não sei se o foi. Duvido muito. Sei que até hoje nada aconteceu aos alegados incendiários com boas relações. Nem investigação, arquivamento (um clássico nas relações com os governos regionais...) ou acusação. Choca-me como a sociedade lusa aceita isto tudo (no vídeo do Porto os outros alunos riam), choca-me como o respeito passou a ser uma excentricidade, como a omissão da maioria se transforma numa forma de poder. |