O ensino público, em Portugal, sempre me cheirou mal. Feito para professores e sindicatos, deixou, com raras excepções, os alunos entregues a eles próprios e à sorte da aprendizagem, e ao favor. Quem não tinha conhecimento em casa estava, por assim dizer, lixado ou condenado à emigração. Por cada professor bem preparado, conheci uns dez no ensino público que seriam desleixados, incompetentes e preguiçosos. Digo isto com base na minha experiência de aluno: primeiro em Vila do Porto (1974-1978), onde professores na escola primária mudavam, desapareciam, metiam atestados médicos em permanência para regressarem à sua terra natal. Basicamente os alunos pobres reprovavam e os não pobres iam passando com excelência, aprendendo pouco ou nada com estes mestres ou mestras. É evidente que existiam excepções, mas muito poucas! No ensino secundário (1979-1984) que fiz quase todo na Escola Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, a situação ainda era pior: naqueles anos a maior parte dos professores não tinha habilitação própria para o ensino e os que a tinham metiam medo, e outra vez, mais atestados médicos, faltas por tudo e por nada, a incompetência e até um certo autoritarismo pacóvio do tipo regional (que ainda existe). Claro que à primeira oportunidade fui estudar para Lisboa para o ensino não público (onde fiz o 12º ano, ano "zero", na Universidade Católica de Lisboa); e até ir, em 1989, para o Canadá, nunca mais coloquei os pés numa escola pública... |