Resistir

"Blog" livre, feito a partir do Oceano Pacífico, por António João Correia, um exilado na América do Norte.

"Resistir" is Antonio Correia's free blog. From the Pacific Ocean...

Correio
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30/Mar/2005
Alecrim ?
A guerra em curso entre os EUA e o Canadá passa ao lado da Europa. Os melhores argumentos americanos levaram este artigo a ser considerado uma obra de arte na velha ignorância «made in USA»...

Aqui fica um excerto...
«(…)If we have bothered forming opinions at all about Canadians, they've tended toward easy-pickings: that they are a docile, Zamboni-driving people who subsist on seal casserole and Molson. Their hobbies include wearing flannel, obsessing over American hegemony, exporting deadly Mad Cow disease and even deadlier Gordon Lightfoot and Nickelback albums. You can tell a lot about a nation's mediocrity index by learning that they invented synchronized swimming. Even more, by the fact that they're proud of it.(…)»
The Great White Waste of Time.Matt Labash www.weeklystandard.com

P. S. -Para quem não sabe, um Zamboni, é o carro que “limpa” os campos de hóquei no gelo e a Molson, apesar de dominada por capital americano, é a cerveja favorita dos canadianos...(horrível por sinal). O www.weeklystandard.com é um jornal(?) de direita «USA» muito, muito conservador...
posted by Antonio Joao Correia @ 9:35 AM  
Leitores de Sartre
Portugal não tem intelectuais. Tem jogadores de futebol, comissões, espertos, padres, políticos corruptos, casas de alterne, procissões regionais com autoridades civis e obviamente empresários que usam o dinheiro do Estado para promoverem negócios de sucesso e risco democráticos. Muito bem. Mas tem mais leitores de Sartre por metro quadrado que qualquer ex província francesa (que será aliás o que resta do pensamento “português”).
posted by Antonio Joao Correia @ 9:05 AM  
27/Mar/2005
O inventor da Páscoa
Paulo, ou São Paulo, inventou esta Páscoa. O inventor do nosso modelo de cristianismo é uma das figuras mais notáveis da história da humanidade. Dá para tudo: interpretações, desejos, ódios e amores. Sem Paulo a Páscoa seria outra coisa qualquer.

A redenção também é o tema dos poetas.
posted by Antonio Joao Correia @ 8:52 AM  
26/Mar/2005
Desinteresse do polvo?
O senhor padre tem toda a razão. Apenas “peca” por defeito. A realidade é bem pior mas este presidente português é, de facto, tanso e portador de uma ignorância e pequenez assustadoras. Vai nu, no seguimento da política externa portuguesa.

Convido, por exemplo, algum dos meus leitores a utilizarem os serviços de algum consulado português na América do Norte e.... assim perceberão o que é a repugnância de um miserável, grotesco e dispendioso serviço público.
posted by Antonio Joao Correia @ 11:08 AM  
25/Mar/2005
Passo por aqui


Passo por aqui, neste Oceano Pacífico, também para me lembrar da minha terra. Qualquer dia fico. Talvez em busca da eternidade do mar, das consequências do poema.

Quem nasce numa ilha nunca perde a perplexidade de não perceber o infinito.

A liberdade do meu povo não se pode negociar: ou estamos até ao fim ou não estamos. Também gostaria de acreditar numa solução pacífica, provavelmente a única com moral e decência.

Com tanta gente em silêncio serei o único que ainda acredita na livre administração dos Açores pelos açorianos? Em busca da eternidade do mar, das consequências do poema?

posted by Antonio Joao Correia @ 7:26 PM  
24/Mar/2005
Agonia do óbvio ?
Momentos do desenvolvimento português, com direito a lei geral e abstracta, notícia, editorais, orgulho nacional e cerimónias solenes com uns estranhos bombeiros de bandeira na mão (para não falar dos movimentos de opinião a favor e até...contra!):

- Abolição da licença para uso e porte de isqueiros;
- Abolição do papel selado;
- Venda de aspirinas em hipermercados.
E depois ainda dizem que Portugal não é desenvolvido! Será isto a agonia do óbvio?
posted by Antonio Joao Correia @ 8:54 AM  
23/Mar/2005
Um homem e o seu orgulho solitário
Idiomas do meu local de trabalho: inglês, francês, mandarim, cantonês, farsi (será que se diz persa?) e hindu....Mas sou o único que tem um «blog» em português.
posted by Antonio Joao Correia @ 8:37 AM  
22/Mar/2005
Sem sinais
Quem tem paciência para comentar Portugal? A Bombardier(de que serei pequeno accionista)? Um governo ? Polícias mal pagos que morrem por nada? O meu Benfica? O senhor Gil da filosofia?
posted by Antonio Joao Correia @ 8:10 AM  
20/Mar/2005
«Cool and good looking, U2» ?
Fui buscar a minha filha a uma espécie de estádio, onde montaram uma versão rural de feira popular. Ao atravessar a rua passa ao nosso lado, com ar de turista, o senhor Bono, cantor que anda a ensaiar nesta cidade sem a minha autorização expressa. Três adolescentes pedem-lhe autógrafos e eu digo à minha ilustre filha três coisas essenciais: o homem é muito baixo (sempre pensei que fosse da minha altura), é magro (será que passa fome?) e anda com um boné que se usava nas heróicas tabernas de “Cima-da-Rocha”, em Vila do Porto nos anos setenta. Resulta pouco, pois a minha filha diz-me que ele é «cool and good looking». U2 ?
posted by Antonio Joao Correia @ 9:19 AM  
19/Mar/2005
Mercado de peixe (repetição)

Vejo a hipótese como a questão de um poder sobre a utopia açoriana. Partiram, chegaram e desejaram Deus, como quase tudo. Não havia mais ninguém: ficaram em solidão com o Espírito Santo, sem corpo e com medo.

A mulher levanta a saia e sacode as migalhas das pernas com varizes. Açoriana, mais açoriana do que será possível dizer, nascida nesta América do Norte, nem saberá que foi bonita em tempos. Nem permitirá que lhe digam da sexualidade que perdeu.

- «A tua mulher é açoriana ou portuguesa?»

Rezam com aflição: a festa vai começar. Os mais velhos poderiam ir ver um filme sobre Camões, poeta pateta como se dizia num poema de Nemésio. Gostam ainda "de ver" vacas a defecarem, políticos distribuindo subsídios, lagoas com químicos, matanças de porcos na via pública, maus penteados, sapatos de verniz e milagres. Existe a esperança da redenção mas eu não sei. Estou num filme de Fellini.

- «Ela é canadiana, de origem terceirense.» Estamos juntos desde 1991, mais ou menos.

Um homem pergunta-me, outra vez, pela Guiné, como se eu tivesse cara de soldado na Guiné a combater pelo império. Na Guiné nem eu era nascido! Em Bafatá vimos corantes feitos para o Vietname. Os servidores do império agora são socialistas! Nasci em 1967! Em Outubro de 1967! «Azores Islands» !

As crianças não falam português. Uma avó de preto pede para ver a telenovela venezuelana. Já escrevi a mesma coisa dezenas de vezes. É uma repetição. Escrevo sempre a mesma coisa. Vou ao mercado desta aldeia comprar peixe (de um lado fica a América do outro o Canadá).

-«Cod, Halibut?»

Sou moralmente de Vila do Porto.

posted by Antonio Joao Correia @ 9:15 AM  
18/Mar/2005
Conservador

Gosto da luz que não existe. Imagino, hoje, que o mundo perpetua uma teoria do conhecimento feita à medida da minha passividade. Vejo esta estupidez toda – aquilo que os homens fizeram de Deus e do mundo - e ando por aqui em busca das minhas ilhas, amores e poemas que nunca serão lidos. Fui revolucionário sem revolução, sabes. Escritor sem leitores. Poeta sem poemas. Não é queixa nem melancolia, mas a descoberta que perdi a paciência para aturar a concepção ou a crítica do óbvio; estou mais livre (e é sempre a liberdade que nos motiva).

Sim, é verdade, acho que me estou a tornar um conservador de magnólias.

posted by Antonio Joao Correia @ 7:52 AM  
15/Mar/2005
A minha praia

Ando por aqui. Não é só minha, mas como está deserta e este Oceano Pacífico é poético...

posted by Antonio Joao Correia @ 8:04 AM  
11/Mar/2005
Portugal
O nosso Portugal.
posted by Antonio Joao Correia @ 12:07 AM  
9/Mar/2005
Evolução do desespero?
"Mulheres da Madeira, dos Açores e do Algarve recorrerão mais à "pílula do dia seguinte"

«(...)Quanto ao resto, as diferenças entre as diversas regiões não são significativas, ainda que nos Açores e na Madeira a percentagem de mulheres que admitiu ter reservas em discutir contracepção com o médico seja o dobro da média encontrada nas outras regiões(...)»
Público, hoje.

Sem comentários.
posted by Antonio Joao Correia @ 3:40 PM  
Egoísmo
Nem sabes que me poderias ter amado, disse para uma imagem tua depois de um funeral que nunca existiu.

É do afecto que nasce a perplexidade do poema. Herege, fizeste amor em Fátima enquanto outros falavam dos milagres.
A fé que não tem? Poderias ao menos respeitar a dos outros, sabes, escrever sobre o que não sabes

Que importa se o Cristo que conhecesses usa heroína e foi violado em São Miguel, com a vénia do Estado, coitadinhas das crianças pobres, vamos na procissão e a choldra lá dará mais uns votos,
Terras com violadores imunes, aldrabões, políticos grotescos e um povo complacente e ainda dizes para calar o ressentimento

Falarei de quê? Da injustiça em abstracto? Do afecto por uma terra inocente tomada pelo enjoo da ignorância e mentira?
Não sei. Escrevo para me ler. No mais puro egoísmo.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:14 AM  
8/Mar/2005
Colónia portuguesa
Portugal seria mais interessante se assumisse a sua condição de país do terceiro mundo. Atrasados, provincianos, com cultura de hipermercado e subsídio não reconhecem a verdade. Só numa pátria assim se perdem horas, dias, semanas a comentar futuros ministros, um a um.
posted by Antonio Joao Correia @ 12:52 AM  
7/Mar/2005
Breve história da literatura portuguesa?
De repente, salvo erro a meio dos anos noventa, todas as sobremesas em Portugal começaram a ser feitas com leite condensado. Do pudim de bolacha, mousse de chocolate ao «flan», lá vinha o leite condensado, tácito ou expressamente anunciado. Um pós Molotov, sobremesa que invadiu a Lusitânia nos fins dos anos setenta, o leite condensado só entrou em crise com o domínio inteligente dos frutos silvestres de cantina. Fase em que, salvo melhor opinião, ainda se encontrará a pátria. Fase quero dizer, de massa folhada, metamorfose de Saramago e Lobo Antunes.
posted by Antonio Joao Correia @ 9:07 AM  
6/Mar/2005
O meu fim-de-semana II
Latricières-Chambertin.Grand Cru. Domaine Ponsot. Não digo o ano por vergonha. A sensualidade do aroma?
posted by Antonio Joao Correia @ 11:20 AM  
O meu fim-de-semana

Silêncio. Mais silêncio.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:30 AM  
4/Mar/2005
Montanhas privativas

Hoje irei fugir da cidade. Para além daquelas montanhas fica outro mundo. Mais montanhas e um destino de revolucionário sem revolução.

Não, não consigo fugir.

Para quem nasceu numa ilha pequena a cidade alicia, mesmo quando estagna o sentido da desejada perdição poética.

Na minha terra não existiam cidades, rios ou comboios. Tínhamos aviões para as pessoas irem para a América e Canadá em busca das montanhas privativas.

posted by Antonio Joao Correia @ 8:50 AM  
3/Mar/2005
Fábrica de açorianos

Passo por esta rua todos os dias, em direcção ao centro.

Fábrica de açúcar, sempre a lembrar a eternidade dos sonhos, trabalho honrado, o pão ganho.

Imagino centenas de açorianos que nunca mais regressaram, mas dizem-me que não, que ali nunca trabalharam, que ali só escoceses e italianos. Não interessa, eu sei que os açorianos construíram o Oeste.

Basta-me ver esta fábrica para saber que eles também ali passaram.

posted by Antonio Joao Correia @ 7:43 AM  
2/Mar/2005
Na cidade?

A solidão na cidade preocupa qualquer pessoa. Solidão destes velhos, alegadamente filhos de um Deus distraído.

Andam sempre com pressa, carregam uns carros de supermercado com latas vazias, sacos de plásticos sujos e pedem dinheiro. São tantos que já ninguém liga.
Este senhor da fotografia ganhou a imortalidade por ter sido pintado por um artista de rua, mas eu sei, todos sabemos, que já estava morto.

Provavelmente morreu de amor.


posted by Antonio Joao Correia @ 7:57 AM  
1/Mar/2005
Sobre a noite

É difícil para quem vive a poesia como matéria das coisas quantificar o que é a noite na cidade.

De que falamos?

posted by Antonio Joao Correia @ 8:41 AM  
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