Resistir

"Blog" livre, feito a partir do Oceano Pacífico, por António João Correia, um exilado na América do Norte.

"Resistir" is Antonio Correia's free blog. From the Pacific Ocean...

Correio
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27/Fev/2005
A imagem

As cidades não têm solução; existe o infinito mas as pessoas andam em busca da glória de um momento.

O dia favorece a destruição das metáforas, o sonho das palavras em forma das banalidades imaginárias;

É apenas da imagem este tempo ?

Regresso à matéria do poema,

e tu leitor imaginário

Saberás as saudades que tenho de falar português?

posted by Antonio Joao Correia @ 8:48 AM  
"Oscar Night"
Terei uma festa caseira para "ver" os «Óscares». Uma espécie de tradição. Mais de metade das minhas ilustres amigas e amigos sonham em lá estar. Sonhamos juntos...

A ementa será açoriana, japonesa, mexicana e acho que italiana. Cuba estará presente com uns vergonhosos Cohiba (passe a publicidade).

Viver no Oeste tem a vantagem de estarmos apenas a 30 segundos da realidade...Pois.

...Obviamente será dia para um Pinot Noir a 100%(Domaine Meo-Camuzet / Nuits-St Georges?).
posted by Antonio Joao Correia @ 7:15 AM  
26/Fev/2005
Tômbola ou milagre
As notícias do Expresso sobre a alegada tortura da Polícia Judiciária a uma suspeita de um crime hediondo não espantam. Portugal tem ainda resquícios de Estado autoritário e miserável quando se confronta com os pequenos poderes, com os abusos da máquina estadual. Pelos vistos a questão da tortura não é só nas cadeias do Iraque!

Se os arguidos são pobres, quase analfabetos têm, quase sempre, direito a uma não defesa.

Repare-se, no entanto, nas demandas judiciais mediáticas; veja-se como a comunicação social é influenciada, manipulada a dar versões, opiniões de audiência e julgamento... Por outras palavras, reparem como se abafam processos criminais graves com influência política e económica. Foi assim com os crimes fiscais, com os fundos comunitários, com o futebol, tráfico de armas, droga, com os financiamentos partidários, branqueamento de capitais, com a pedofilia, etc., etc.

É evidente que a questão não é só portuguesa...A diferença é que a sociedade lusitana parece pouco incomodada, pouco se importará se a justiça é uma casa de alterne em versão de tômbola ou um milagre da irmã Lúcia.
posted by Antonio Joao Correia @ 6:29 AM  
24/Fev/2005
Lugares onde os poetas são felizes?

Os poetas são felizes nestes lugares que já não existem todos os dias. Será dos turistas?
posted by Antonio Joao Correia @ 12:01 PM  
Mercado e “terceiro-mundo” cultural ?
Leio que o filme «Mar Adentro» só agora estreia em Portugal. Compreendo que os filmes norte-americanos demorem alguns meses (no cinema independente alguns anos) mas um filme espanhol (excelente por sinal) que eu vi em Dezembro ou Janeiro na América profunda, só agora aparece em Portugal?...Até um filme espanhol?

Será que Portugal (ainda) faz parte do roteiro dos pacóvios culturais, onde se vai buscar uns trocos quando se esgota o resto? Antigamente ainda se percebia, mas hoje...enfim, as leis do mercado...

Curioso é verificar que quando os filmes são maus chegam depressa...
posted by Antonio Joao Correia @ 7:36 AM  
23/Fev/2005
O ingénuo...
Ninguém sabe, com certeza, quantos são. Talvez nem seja importante no mundo de hoje. Calculo que mais de um milhão de portugueses (muito mais) vivam na América do Norte.
Em todas as condições, estratos, sortes da vida. Em comum, quase 99% têm o facto de não precisarem de Portugal e da “merda” dos vários governos que muitas vezes o representam para nada. Para nada. Chegaram, trabalharam e quase sempre venceram. Sozinhos nas fábricas, nas obras, nas minas, no mar, no mundo financeiro, nas universidades, na investigação, etc., etc.

Quando pergunto se não desejam voltar, investir, ensinar na terra que os viu nascer, chamam-me, com razão, ingénuo...
posted by Antonio Joao Correia @ 9:10 PM  
22/Fev/2005
Cultura estadual
É intolerável que a cultura seja paga pelo Estado. Pelos que pagam impostos, muitas vezes sem acesso a bens ou serviços culturais. Por critérios políticos, partidários, de paróquia quase sempre.

Subsidia-se tudo em Portugal: o grupo de teatro, a televisão pública de pocilga, a rádio, o jornal, a revista, o panfleto, a colectividade, a igreja, o futebol, touradas; até já vi livros de poemas subsidiados por um governo regional. Subsidia-se directamente, indirectamente comprando “milhares” de obras de qualidade miserável apenas por solidariedade e favor políticos. Subsidia-se tudo. Pelo controle, pela influência dos ignorantes que dominam outros ainda mais ignorantes.

Uma cultura subsidiada não é livre. Tem as limitações da voz do dono, de quem lhes paga, orienta, molda, sugere. Não é cultura, é um frete.

O criador cultural que não assume o risco da sua expressão, risco pessoal e artístico, é um criador menor.

Dirão que não há mercado. Que o mercado em terra de gente muitas vezes imbecil e mentecapta tem de se sujeitar ao dinheiro público. Ao monopólio do gosto estadual. Isto é, que a função do Estado também é pagar a actores, escritores, poetas, pintores, escultores por critérios políticos, critérios partidários.

Não, um Estado que tudo paga não é um Estado, é uma manjedoura. É um Estado sem cultura.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:59 PM  
20/Fev/2005
Comentário de um estrangeirado
A irrelevância destas eleições deixa a nu a condição marginal de Portugal no mundo.
posted by Antonio Joao Correia @ 6:27 PM  
Visões da América mais ou menos profunda
posted by Antonio Joao Correia @ 12:07 AM  
19/Fev/2005
Portugal, quantas sílabas?
Uma velha nação periférica, atrasada, injusta, putrefacta na seriedade, cínica, dominada por associações de interesses finge que é democrática e tem eleições forçadas, sem história.

Nada mudará. Nada. Sem intelectuais com influência, sem sociedade civil, sem a cultura como modelo de desenvolvimento, apenas importará a melancolia do saque à manjedoura estadual, verdadeira matéria de interesse nacional.

Pouco interessa quem ganhe. Não vejo diferenças. Nem democracia. Quntas sílabas?
posted by Antonio Joao Correia @ 6:58 PM  
17/Fev/2005
Terras evoluídas
A liga "principal" de hóquei no gelo da América do Norte, por causa de salários, está fechada. Pura e simplesmente cancelaram a época.

Nesta parte do mundo o desporto profissional, inclusive o regional, não financia partidos políticos, cartéis de droga, lavagens, negócios estaduais e a velha criminalidade fiscal. É um negócio com regras de mercado, transparente como deve ser num Estado de Direito.

Claro que se existisse um governo que lhes pagasse alguns milhões com dinheiro dos impostos, sem fiscalização, sem nada, sem vergonha, talvez se conseguisse alegrar a multidão de adeptos do hóquei no gelo. Mas estes pagamentos de dinheiro público - outros podem chamar de roubalheira ou criminalidade organizada - só existem em terras mais evoluídas.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:35 AM  
16/Fev/2005
Paciência e presunção
Nunca sei se estou perdido quando decido amar-te. Nem sei do que escrevo.

Abandono esta língua, ninguém compra argumentos em português. Sabes?

Imagino, com crueldade melancólica, que me posso tornar uma cópia rancorosa do Rodrigues Miguéis. O nosso quase único(?) romancista do século XX perdeu a paciência com a pátria e fechou-se numa rua da América.

Tudo bem, mas eu não tenho paciência, sou alegre no pessimismo, acredito no desejo e gosto de mulheres bonitas.
posted by Antonio Joao Correia @ 9:15 PM  
14/Fev/2005
Perdidos na tradução(“a frenzy of writing”)
Encontro "conterrâneos" em sítios onde não espero descobrir esperança. Como nas peças de Beckett estes meus irmãos da América e Canadá profundos estão resignados e esperam a glória, sempre magoada, de esquecerem a origem.

Sabem do abandono, mas eu gostaria que quisessem qualquer coisa: uma notícia, mudança, revolução, quem sabe se um poema. Mas eles sabem mais do que eu: já não querem nada.

Falo em exemplos ridículos, nos políticos ignorantes em procissões religiosas, do atraso, do nojo da choldra, estupidez de uma terra dominada por imbecis, de tanto que se pode fazer... Insinuo que o povo aceita quase tudo (os que aplaudiram Caetano em Março de 1974 eram quase os mesmos que aplaudiram Salgueiro Maia no Carmo, exemplo muito velho).

Eles ficam em silêncio. Não sabem se falo para lhes salvar, de nada, ou se para me justificar.

Dizem-me, com amizade, que se antes era mau, existia a fome e a injustiça, agora é miséria de espírito e iniquidade;



Escrevo muito, sabes. E tenho leitores imaginários, disse ainda.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:04 PM  
13/Fev/2005
Na pátria da irmã Lúcia
Entre o oportunismo de se explorar a fé dos outros, Salazar, Cerejeira, intelectuais subsidiados, empreiteiros que financiam partidos políticos e a irmã Lúcia reside também a essência da pátria.

Pátria de gente pobre, ignorante e medrosa, sempre deliciada a ser explorada por espertos e curas.

Nem na morte a livram do negócio!

(vimos Nossa Senhora de Fátima a vender o corpo para comprar cocaína no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada ou no velho Casal Ventoso, em Lisboa, mas não foi notícia).
posted by Antonio Joao Correia @ 3:35 PM  
12/Fev/2005
Limites da banalidade
Hoje foi um dia estranho na minha vida (a Raquel diz que são quase todos). Daqueles que irão para o livro das memórias. Por razões que não sei explicar (acho que fizeram um filme nos anos oitenta que nunca chegou a existir) o dono do café que frequento apresentou-me a Dennis Hopper. Ele mesmo, em Blue Velvet, Mad Dog Morgan, Apocalypse Now, Easy Rider.

Falei-lhe da angústia do poeta, de gajas boas, Camões e do Espírito Santo.
posted by Antonio Joao Correia @ 4:56 PM  
11/Fev/2005
República Federal dos Açores
A cinco minutos (talvez a dez) de casa, instalaram-me mais um casino. Casino a sério com centenas de máquinas, roletas, tapetes, restaurantes, mulatas explosivas, cartas, perfumes baratos, espelhos, polyester e coisas similares. Com a mania das reservas índias (“nativas” no politicamente correcto ou “ First Nation People...”) controlarem o jogo na América profunda, via árabes, ando manifestamente farto de ver tanto casino.

Claro que lá fomos jantar. Parte das empregadas são brasileiras, obviamente muito atraentes. A que nos atendeu no bar está a fazer(?) um pós doutoramento em antropologia dos instrumentos (não sei o que é) e perguntou-me se o meu sotaque português era do interior (do Brasil).

Disse que era da República Federal dos Açores.
posted by Antonio Joao Correia @ 1:01 PM  
10/Fev/2005
Mistérios da aviação comercial
Uma viagem, ida e volta, entre Los Angeles e Londres custa-me, nesta altura do ano, cerca de 380 Euros (companhias privadas, com lucro).

Entre Lisboa e Ponta Delgada (tarifa para não residente) custa 342 Euros (companhias do Estado, vergonhosamente subsidiadas).

Nem falo do serviço e da educação. Falo dos mistérios da aviação comercial...
posted by Antonio Joao Correia @ 6:17 PM  
9/Fev/2005
Bom Ano!
Ando a celebrar o ano novo chinês. Eu e alguns milhões...
posted by Antonio Joao Correia @ 10:05 PM  
7/Fev/2005
Não muda

Repito sempre esta esquina. Não muda.


posted by Antonio Joao Correia @ 9:05 PM  
Improviso
Existe uma melancolia patética neste doce provincianismo português. Valerá pouco falar no atraso, ninguém se interessa pelo assunto. A injustiça não faz notícia.

Uma pessoa tem de, senhor Sena, salvar-se de Portugal.

"(...)De que se formam os nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde,
se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?"
Carlos Drummond de Andrade, Poesia Comtemplada, Conclusão
posted by Antonio Joao Correia @ 6:02 PM  
5/Fev/2005
Dramas de cultura
Segundo alguns boatos, preparo-me para ver amanhã a Super Bowl XXXIX. Tenho de confessar (género desculpa traiçoeira) que não é pelo jogo em si mas pelos anúncios, pela qualidade da publicidade que aparece a cada três minutos...Pois.
posted by Antonio Joao Correia @ 10:25 AM  
3/Fev/2005
Portugal e os debates
Uma parte significativa do povo quase analfabeto, políticos que nunca leram os clássicos, hábitos de higiene relativos, uma queda para o provincianismo, falta de produtividade e quase todos na manjedoura pública.

Fátima, Eusébio e Amália, em versões requentadas. Não conseguem abandonar o modelo.

Claro que existe aquela esperança das sociedades patéticas, dominadas pela ganância da estupidez.

O reino da imbecilidade à solta ?
posted by Antonio Joao Correia @ 6:02 PM  
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