Resistir

"Blog" livre, feito a partir do Oceano Pacífico, por António João Correia, um exilado na América do Norte.

"Resistir" is Antonio Correia's free blog. From the Pacific Ocean...

Correio
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30/Jun/2004
Baruch de Espinoza
Vi o jogo, outra vez, com clientes. Coisa estranha pois no “pub” estavam dezenas de peritos em “ soccer”, diagonal, técnica, talvez os últimos ingénuos do futebol espectáculo. Nem me lembrei de dizer que comecei a carreira de mau jogador em Vila do Porto, no recreio da escola primária. Com orgulho era um falso lento, provavelmente um teórico em busca da revolução. Mudava aos cinco, acabava aos dez e o Professor Geraldo ficava sempre preocupado com alguns vidros. Na quarta classe até chegávamos a ganhar ao ciclo preparatório (não me lembro de jogar, mas o inconsciente diz que estive lá).

Espinoza e o criticismo bíblico não serão temas com grande popularidade. Fui várias vezes a Amesterdão para ver almas perdidas, meretrizes das nossas culpas, projectos de escrever para sentir o mundo, ensaios de nada. Gostei das sombras daquelas janelas; e nos anos oitenta as sombras faziam sentido.

Deus e a natureza. Jogos de futebol. Será Espinoza o salvador (ou a necessidade?).
posted by Antonio Joao Correia @ 5:40 PM  
29/Jun/2004
Ainda sobre o King Lear
O Lear em causa é baseado na tradução de Boris Pasternak e terá sido filmado em 1970(?) por Kozintsev. A tradição diz que será o " Lear of the nuclear age". Pois. Não comparo, no entanto, com o trabalho de Akira Kurosawa em "Ran". Existe ainda um «estranho» Hamlet de Kozintsev de 1964...
posted by Antonio Joao Correia @ 5:38 PM  
28/Jun/2004
Frases banais (num café da América profunda que se chama Calábria)
A política em Portugal é uma coutada de meia dúzia. O povo, ainda muito pobre e ignorante, não irá além da sofisticação que muitos anos de miséria produziram.

Não temos (muitos ?) pensadores independentes (nem Eduardo Lourenço resistiu ao beija mão de Soares, adiante).

Escritores não dependentes dos políticos, não são lidos. Ou pelo menos não são lidos em Portugal o que pode ser uma vantagem.

O nojo da pátria é assunto banal. Jornalistas comprados, televisões em avença. É bom ver como a um nível mais regional, os Açores perceberam e aplicaram com sucesso este estilo português. Salazar e Cunhal eram uns amadores...

Cavaco Silva deve ser o próximo Primeiro-ministro de Portugal, dizia-se hoje num café da América profunda. Ou talvez não, disse eu.

Grigori Kozintsev nunca filmaria “ King Lear” em Portugal. Bastou uma visita a Hiroshima.

Ao menos as mulheres são bonitas.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:10 PM  
27/Jun/2004
A choldra
Dizem-me que vamos ter eleições antecipadas em Portugal. Sampaio não resiste ao apelo, nos jardins de Belém, de Isabel do Carmo (ex lider de um grupo de terroristas).

O PS só se aguenta no Governo com o BE. Santana ganha eleições com Portas.

Meus ilustres leitores: como vivo no estrangeiro, hoje vou atravessar uma fronteira e votar numa outra terra. Para a choldra, já basta a pátria em que nasci.
posted by Antonio Joao Correia @ 11:11 PM  
Fahrenheit 9/11 ou o regresso da “ L’Age D’Or “
Fui ver o último de Michael Moore e esperava qualquer coisa mais. Para um homem de esquerda é sempre simpático ver estas teorias da conspiração mas faltou algo em termos de montagem: um filme, mesmo documentário, tem de procurar surpreender sem se deixar levitar na propaganda contra o óbvio. Bush é Bush, mas todos já o sabíamos.

Gosto desta liberdade de expressão corajosa que a América (com censuras económicas à mistura) consagra. Voltamos, provavelmente, a uma vingança contra um modelo estilo Luís Buñel post moderno em que a classe média é vitima e não instigadora.

A obscenidade da guerra e da mentira política é também a obscenidade das pessoas que tudo toleram em função dos interesses pessoais e materiais. Querem lá saber da corrupção, dos financiamentos partidários, da imoralidade que tomou conta desta modelo democrático. Será assim neste modelo que Moore critica mas também o é ao nível da aldeia (e caio sempre no exemplo que melhor conheço em Portugal que é o caso açoriano).

É verdade: o que a mim me incomodou mais não foi tanto a indecência do governante, mas o silêncio cúmplice da maioria que o sustenta.
posted by Antonio Joao Correia @ 12:48 AM  
26/Jun/2004
Comentário político II
O Primeiro-ministro é mau; o alegado sucessor é mau; o líder da oposição é mau; o Presidente da República é um caso de estudo, e também é muito mau.

O povo. Bem, alguém me explica onde está o povo ?
posted by Antonio Joao Correia @ 9:52 AM  
Comentário político
O destino de Barroso na Europa civilizada não deve espantar: no lodo político em que os portugueses gostam de viver – vide os meus Açores, por exemplo mais restrito - qualquer pessoa de bem pondera se vale a pena cheirar o bacanal de percevejos em que se tornou a administração da coisa pública portuguesa.
De favor em favor, de pocilga em pocilga temos a democracia possível (que o povo deseja?).




posted by Antonio Joao Correia @ 2:11 AM  
24/Jun/2004
Onde estava a saudade ?
Devido à diferença horária vi o jogo na hora de almoço, num «pub» irlandês com um cliente que acha o futebol (soccer na América profunda) um desporto estranho, parado, lento, sem emoções.

Entre uma sandes de atum do pacífico, uma salada de repolho com vinagre e uma sopa de marisco estive com mais de duzentos ingleses a celebrar. Meia hora depois, o bom cliente já não falava de negócios mas do futebol espectáculo (conceito que introduzi), do 4x4x2 e da luta da técnica contra a força. Citei Gabriel Alves, Eça, Herberto Hélder, Padre António Vieira e acabei com Herculano no exílio inglês.


Cheguei tarde ao escritório. Abri o computador, fiz dois telefonemas e fui em busca de portugueses melancólicos nestas ruas do Pacífico (poucos, perdidos mas é o que há). Acho que fiquei com saudades.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:52 PM  
23/Jun/2004
A vida de Clinton
Não, não fui a nenhuma sessão de autógrafos com Clinton mas gostei da biografia, apesar de estar algo desconfiado pela crítica, algo violenta, do NY Times. Li ou vi um homem que não nasceu para ser Presidente mas se fez Presidente à custa de uma vontade férrea; é ainda no espaço do destino que Clinton desafia os princípios...Ao contrário de Reagan não explodiu em messianismos calculados, apenas desenvolveu um conceito de oportunidades em igualdade como tema de acção política (lembro-me que Guterres andou lá perto em 1999, mas parece que não teve seguimento...).

Ressalta também, nesta vida em estilo de autobiografia, o produto americano que é Clinton, ao contrário de Bush, que é uma invenção mediática de uma certa Europa que vê fantasmas na cultura americana e de um moralismo hipócrita evangélico que faria sucesso, por exemplo, nos Açores de hoje...

Para quem gosta de biografias, recomendo.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:05 PM  
21/Jun/2004
IKEA
A minha casa da América profunda é cliente da IKEA. Aliás, acho que sou cliente desde o fim dos anos oitenta. Mais vale tarde do que nunca: a classe média portuguesa da zona de Lisboa já poderá ver/ter mobílias decentes, baratas e com gosto acima da estética que domina Portugal (como se sabe algo enjoativa) .
Para quem está habituado a ser roubado em lojas de mobílias a IKEA vai, sem dificuldade, revolucionar Portugal. Na zona onde vivo temos três e de grande sucesso comercial !
Como antigo sueco ou amante de suecas em desespero ( vivi em Koping onde me perdi de amores) estou contente por Portugal aderir, com vinte anos de atraso, às tendências do mundo dito civilizado...Depois do Macdonalds, da pílula do dia seguinte, do crédito ao consumo, Portugal pode dizer que também tem IKEA...
No fundo, como açoriano a tempo inteiro, espero sempre pela sofisticação do gosto português...É «fast food», é verdade, mas é «fast food» para todos...
posted by Antonio Joao Correia @ 5:38 PM  
20/Jun/2004
Cervantes ?
Quem inventou o romance saberá da forma como a pátria atrasada, algo inculta, nem sempre limpa se comove com o destino?

Nestas histerias lembro-me do professor Agostinho da Silva e de uma elaboração sobre a capacidade portuguesa de formar o “ capataz científico”. Deus português, Nossa Senhora de Fátima a proteger os soldados na Guiné e as Armas masturbam-se à custa dos barões alegadamente assinalados. Claro que também estava lá: vi o jogo num café português da América profunda, entre um galão, duas sandes de presunto e muitas pessoas com chinelos. Faltou, é verdade, um certo snobismo na hora da vitória, o Pauleta (o açoriano da pós modernidade que venceu na vida sem fundos públicos) jogou mal, o Cristiano Ronaldo parece um aflito pescador da Madeira que joga matraquilhos nas festas do Santo Cristo e o Figo lembra uma madame sem forma. No entanto, eu gritei por Portugal e fiquei amargurado por causa de Cervantes, do romance, das mulheres tristes da Galiza, daquela rapariga que vendia flores em Barcelona ou de uma dançarina da Andaluzia que não cabe neste momento.

Qual cultura? O povo está feliz.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:16 PM  
19/Jun/2004
Sentado
Não sei onde reside o coração destas mulheres que vejo na rua. Parecem em festa, por causa de qualquer coisa que não percebo, mas demonstram uma tristeza amarga, sem recuo, como se a verdade das coisas fosse a função do poema.

Uma leva um véu de noiva, seria então uma despedida de solteira. A do lado, quase bonita, grita e pede qualquer coisa a um polícia que sorri com a condescendência de um dia quente.

Estou sentado algures numa esplanada da América profunda.
posted by Antonio Joao Correia @ 1:59 AM  
14/Jun/2004
O avanço cultural
Portugal tem, habitualmente, governos que não gostam da cultura. O alegado povo, na sua imensa sabedoria, prefere passear entre uns biscates, uns sabores arrefecidos, escarros para o chão, votos de protesto, favores e alguns desodorizantes de qualidade duvidosa: e é desta forma que se aceita quase tudo numa pátria atrasada mas feliz.

Sem lugar para mais temos o esplendor das receitas mágicas, populistas, ranhosas. Existe ainda aquele misto de bondade de sacristia com a esperteza das tascas e um cheiro a chulé que se torna em hino de avanço cultural. Outros povos mais organizados, limpos, desenvolvidos não são tão felizes.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:02 PM  
13/Jun/2004
Resultados
Sem surpresas os eleitores que ainda vão tendo paciência decidiram penalizar a coligação de direita que governa Portugal. Resultado claro que tem boas consequências para o PS e deverá fazer com que Barroso finalmente limpe, parcialmente, o governo. Será ainda uma boa oportunidade para testar a coesão «solidária» de uma coligação alegadamente «contra natura», especialmente quando ninguém no PSD atura o estilo, passado e métodos políticos de Portas...Creio que estes resultados têm relevância apesar da abstenção: existe um desejo de mudar, mesmo que exista um incomodo psicológico com o actual líder da oposição portuguesa, que ainda não convence – credibilidade ou voluntarismo ? - mas hoje pode reclamar uma vitória. Teremos um folgo de ar mas também é de prever alguma flexibilidade governativa para adoçar os últimos anos, miseravelmente antipáticos para muitos portugueses.

No resto, tudo igual e previsível. Até quando?
posted by Antonio Joao Correia @ 3:32 PM  
Não votei
Não votei. Se estivesse a viver na pátria (?) iria votar, provavelmente com algumas dúvidas, mas iria votar. O voto faz bem. Para estas eleições tenho voto livre: já votei no Miguel Esteves Cardoso e no Maestro Vitorino de Almeida (nenhum dos dois foi eleito mas até hoje não me arrependi).

Será que as senhoras da Matriz, em Ponta Delgada, deram pela minha falta? Será que ficaram desiludidas ou recuperam, agora, com a banalidade da falta por ausência na América profunda deste eleitor anónimo? Gosto da formalidade de ouvir o número do cartão de eleitor em voz alta, o bilhete de identidade digno de uma choldra do terceiro mundo: a frivolidade do respeito pela forma atrasada, da pobre, ridícula mas necessária democracia portuguesa.

Não votei. Acho que somos milhões hoje. E a Europa aqui.
posted by Antonio Joao Correia @ 10:31 AM  
12/Jun/2004
Tragédia portuguesa
Fui ver o jogo com o meu vizinho, um médico grego. Acompanhados por alguns amigos alemães e por dezenas de italianos fui durante sete minutos, num café obscuro da América profunda, o ilustre representante da pátria. Sete minutos e depois, bem, depois foi o habitual. Roguei pragas a Scolari, fiquei com saudades de Vítor Baia, gritei, dei as tácticas, quase insultei o Rui Costa, e nada, nada. Por momentos apetecia-me ir jogar, gerir o banco português, tomar qualquer coisa para acalmar, para fazer aqueles lentos menos vagarosos. E nem os políticos em estilo de pavão com cio, os empreiteiros patos-bravos, os corruptos do futebol português que enriquecem à sombra do poder político com a conivência das polícias me tiraram do destino: era por Portugal que eu gritava.

Imagino os meus dias no Bairro Alto, numa daquelas tascas sem história, e Portugal sem perceber que a pátria é mais do que a melancolia do desespero: é o que resta na insustentável glória de um jogo de futebol.
posted by Antonio Joao Correia @ 2:15 PM  
9/Jun/2004
Dia de Portugal
- E de Camões emigrante pobre, algumas notícias ?

Dizem que a pátria se sustenta no vácuo da sua reminiscência. Das comunidades é o que vê.

-Restará Portugal ?
posted by Antonio Joao Correia @ 5:23 PM  
O ridículo da pátria
Fui aluno de Sousa Franco na Universidade (Finanças Públicas no 2º ano). Penso que era um bom académico, homem sério, católico à prova de bala e honesto intelectualmente. Como faleceu merece, a memória, o devido respeito.

No entanto, Sousa Franco foi um péssimo Ministro das Finanças, muito conflituoso com Guterres (quem não se lembra de um famoso despacho no último dia de funções...) e pouco esclarecido em termos de rigor público (ao contrário do que escreveu em vários manuais). Agora, como morreu, é vítima da típica hipocrisia lusitana, só elogios e mais elogios, alguns dos quais melancolicamente patéticos (quando até o PS olhava com desdém para este candidato... Chegando o ridículo ao ponto de se ter declarado uma versão ligeira(?) de luto nacional (não sei se inspirados no falecimento de Reagan).

Por estas e por outras é que continuamos a ser uma pátria de expedientes, hipocrisias: ninguém assume nada, apenas a manipulação de um povo pouco culto e pobre, talvez ainda demasiado miserável para perceber o que lhe fazem. No fundo as homenagens públicas deste estilo são mais para quem homenageia do que para quem é homenageado. Lembra as carpideiras contratadas para chorar.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:19 PM  
7/Jun/2004
Vejo sinais (poema açoriano «up to date»)
Vejo obviamente as mulheres na rua, não perdidas de amor;
Irão em busca de uma religião, qualquer, digo uma religião
Qualquer, como elas, irão em busca de mais;
Um Deus como símbolo sexual vi eu em Vila do Porto
Onde Nosso Senhor também tinha os seus dias;
Tantas mulheres mal amadas nesta escravidão:
Vejo açorianas que gostam mais de Deus do que
Do sexo, sem moral, palavra que se moral,
Espírito Santo, uns favores, atraso,
Não reclames Gervásio que vais para a Guiné;
Tornam-se símbolos da frigidez: pior é ter fome
Vejo estas mulheres das festas portuguesas
Qual emigração: são as mesmas dos Açores
Mais hipermercado, menos sacas de roupas
Umas doenças venéreas, bicha na caixa
Gostamos desta cultura, come golfinhos
Solidariedade com os pobrezinhos
Vejo mulheres na rua, não perdidas de amor
Barcos, aviões uma Europa civilizada
Açúcar de beterraba, refrigerantes rafeiros
Olha meu amor, amor assim, já não há
Qualquer, como elas, irão em busca de mais;
Vejo obviamente as mulheres na rua, não perdidas de amor.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:27 PM  
5/Jun/2004
A Portugal ( de Jorge de Sena, um emigrante destas Américas)
A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. ƒÉs cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não


Jorge de Sena

posted by Antonio Joao Correia @ 6:25 PM  
Dia dos Açores
Pode ser qualquer dia. Será hoje. Por várias razões simpatizo muito com o Dr. José de Almeida, líder dos Açores livres mas solidários. Homem bom, emocional, do melhor que os Açores podem oferecer.

Ao contrário do que se diz a história não é feita das vitórias territoriais, da intriga, dos golpes, mas da emoção e da coragem de se viver através do que se acredita. E é também por isso que o Dr. José de Almeida tem um lugar ao lado dos sonhadores. Por vezes até penso que os açorianos não merecem este tipo de sonhadores, mas como santos da casa raramente fazem milagres...

A questão açoriana é complexa e passará sempre por uma aliança com Portugal, mátria desta nossa indiferença, refúgio sentimental, nação mãe que nos deixou livres no mar, neste mar das poesias que nunca acabam: uma solidão doce certamente.

Portugal não faz sentido sem a questão açoriana, mas a contradição não acaba aqui: é que nos chamam europeus e somos atlânticos sonhadores, do tempo do vento absoluto, sem mais nada para além do desígnio. Foi o que vi em Santa Catarina, em Maui, Tulare, New Bedford, Toronto, Victoria, Miami, Fall River, etc, etc. Saberão os Deuses por onde andam estes irmãos, também livres ?

Dia dos Açores, como qualquer dia, sente-se melhor longe.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:45 PM  
3/Jun/2004
O ofício do escritor
Escrever a verdade em que acredita mas ser livre.

(Nunca conheci poetas com rede).

Resta uma certa ideia de liberdade e existência. Um momento, a glória de uma certa procura.

A arte, e pouco mais valerá a pena, conduzirá ao amor. Não é a expressão que interessa, mas o caminho a percorrer.

...Dias, horas, assim em que se é feliz.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:16 PM  
2/Jun/2004
Aventura
Vejo do teu amor, e é do teu amor que importa.
Nada mais.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:35 PM  
1/Jun/2004
O drama do exilado
Faço os possíveis para seguir seguir a campanha eleitoral em Portugal, mas tenho duas, nos Estados Unidos e Canadá, ao pé da porta... Em ambas existe indefinição...
Modernismos das democracias alegadamente mais evoluídas ?

Alguém me diz quem irá ganhar em Portugal...?


posted by Antonio Joao Correia @ 5:38 PM  
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