Resistir

"Blog" livre, feito a partir do Oceano Pacífico, por António João Correia, um exilado na América do Norte.

"Resistir" is Antonio Correia's free blog. From the Pacific Ocean...

Correio
antoniojoaocorreia@hotmail.com

Para viver
Causas
Lugares da minha vida
Restaurantes
Universidades
Futebol
Bares

31/Jan/2004
Dramas:

How to clarify the idea you dont't quite have yet ?
posted by Antonio Joao Correia @ 9:02 PM  
É já para a semana!


Meryl Streep & The Culture Project
present


Sarah Jones
Bridge & Tunnel

Written and Performed by Sarah Jones
Directed by Tony Taccone

PREVIEWS BEGIN FEBRUARY 6

--------------------------------------------------------------------------------
SARAH JONES BRIDGE & TUNNEL is the story of the American Dream as seen through the personas of fourteen characters, each with a distinct voice. A charismatic male Pakistani accountant, a Chinese mother adjusting to her daughter’s alternative lifestyle, and a young Latina with a quick wit and an even faster tongue are but a few of Jones’ gallery of characters. This chorus of voices emanates from the reaches of New York’s boroughs with origins far beyond the city’s limits.
45 Bleecker St., NYC.
posted by Antonio Joao Correia @ 10:53 AM  
29/Jan/2004

Corporation é um filme obrigatório. O cinema ainda diz a verdade. Pelo menos a verdade possível. Os prémios só dizem que ainda existe justiça...
posted by Antonio Joao Correia @ 2:39 PM  
28/Jan/2004
A redenção numa sombra

Vejo uma sombra ao descer as escadas:
Diria que nada sei sobre sombras
(gosto da América por causa das sombras);

A mulher que nada na piscina comigo
Diz que nado bem;

Nadará ela comigo ?
A piscina não tem sombras.

Nado todos os dias.
Comecei por quatro piscinas de 50 metros
( nado numa piscina olímpica com vaidade)
Depois parti para seis, oito, dez, até ver sombras
Até me esquecer do Oceano

A mulher é magra, bonita e não sabe nadar muito bem
Saberá ela das sombras ?
Nadarei eu com ela ?
Direi sobre o destino dos poetas ?

Vejo que ela não sabe.
Não sabe que aprendi a nadar em São Lourenço
Que salvei pessoas no mar
( e como gostaria de me ter salvo)
Que até desejei o fim do mundo sem ela
Nado todos os dias
Vejo uma sombra
( ela deveria ter falado nas possibilidades do amor)
posted by Antonio Joao Correia @ 9:34 PM  
27/Jan/2004
Sucesso regional

O Santa Clara, instituição de utilidade pública do futebol açoriano, que recebeu nos últimos anos milhões, milhões e milhões de Euros do dinheiro dos contribuintes viu, por dívidas fiscais, arrestados vários dos seus bens.

E, como sempre, a protecção política regional ignora o assunto e ainda arranjará maneira de dar mais dinheiro dos impostos. Com naturalidade e em silêncio.

Pornografia. Estamos na presença de pornografia.

( desde 1998 que escrevo sobre este assunto)

E o Ministério Público ? Ainda está em inquérito ?
posted by Antonio Joao Correia @ 6:14 PM  
26/Jan/2004
Aborto, consciência e o silêncio

Em 1998 dei a cara no referendo a favor do "Sim" e escrevi sobre a injustiça do crime de aborto, tal como a lei portuguesa o prevê.

Sou contra a prática do aborto mas defendo a despenalização das mulheres que o praticam.

Sou contra, como qualquer pessoa que tenha um mínimo de consciência é mas não aceito que se condenem mulheres por uma decisão dessa mesma consciência. A consciência não se pode julgar.

Dei a cara numa região conservadora e ainda dominada por demónios, sejam os da pobreza como da dependência de uma certa ideia de moral.

Pior, sob a capa de uma falsa solidariedade e amor à vida, até se invocou Deus, como se Deus fosse um meio; como se Deus, a existir, tivesse intermediários privilegiados.

O referendo em causa, ainda que não vinculativo, deu um sinal da visão das coisas: o do prolongamento da injustiça.

O que me custou a perceber, no entanto, foi a gestão do silêncio.

Na altura cada pessoa séria disse o que lhe ia na alma: uns contra, outros a favor. Fiquei triste com o desfecho mas respeitei. A consciência dos outros, mesmo se diferente da nossa, merece respeito.

O que impressionou mais foi ver - e vi de perto - quem, sendo a favor da despenalização não o dissesse em público para não perder votos em futuras eleições.

O silêncio, a ideia vaga de nada dizer para se passar despercebido, pondo de lado as convicções para não perder eventualmente poder político é algo que revolta. Mas não será o que o nosso povo quer ?
posted by Antonio Joao Correia @ 6:10 PM  
25/Jan/2004
Nem o luto respeitam

Uma águia voa. Voa para sempre.
E vejo a pátria, gerida por anões, a discutir o acessório.

Que fazem estes políticos junto ao luto?
Procuram votos. Vi as mesmas caras de políticos na tragédia da Ribeira Quente, em São Miguel.

(se até Camões foi emigrante quase toda a vida/ se eu vi de perto a pior hipocrisia).
posted by Antonio Joao Correia @ 5:38 PM  
Domingo / Desilusões de um pai benfiquista

A minha filha, que nunca viu um jogo de futebol na vida, começa a mostrar uma preocupante simpatia pelo FCP. Sim, o FCP. Não sei como começam estas influências, estes amargos do coração mas qualquer benfiquista sabe que estamos na presença de algo quase sagrado, algo que não se pode brincar. Como os melhores académicos referem pode-se mudar de esposa, partido político, convicções políticas, paciência, emprego, roupa, Deus preferido mas a escolha de um clube de futebol é algo de divino, irrecuperável. É escolha que depois de feita, perdura para toda a vida. A única esperança é que este seja um momento de teste e que a verdade da lógica siga o coração, obviamente sem escolhas democráticas e sempre baseadas no «tem de ser». Filha de benfiquista, benfiquista deve ser. É a lei das coisas. Em casos extremos aceita-se a escolha de um clube secundário mas com personalidade( Académica, Setúbal) ou um clube estrangeiro com jogadores que parecem cabeleireiros em algum centro comercial português ( Real Madrid, Milão, etc.). Nunca o FCP...

Obviamente nasci benfiquista. Foram os relatos da rádio ( não havia televisão até 1975) na loja do meu avô, em Vila do Porto, que fortaleceram o carácter de bom português, futuro revolucionário, homem do contra. José Henriques, Pietra, Humberto Coelho, Toni, Shéu, João Alves, Néné (o senhor Néné) apenas consagravam uma forma filosófica, uma ordem natural das coisas.

Irei hoje a «Chinatown». O novo ano tem de ser celebrado. No meio dos dragões. É verdade, o destino parece perseguir-me. Por que será que os chineses têm de celebrar com dragões ? Não saberão eles que uma águia voa sempre mais alto, mesmo quando já não ganha nada desde o século passado ?
posted by Antonio Joao Correia @ 3:29 AM  
23/Jan/2004
Desejos do povo

Entre Fátima Felgueiras e a justiça portuguesa está a verdade. O que ninguém diz é que ela ganha eleições e foi sempre protegida, devido ao facto de ser vitoriosa.
O povo gosta deste populismo, desta nossa democracia. É também por isso que somos atrasados, que não temos intelectuais, que se arranjam jornalistas comprados, médicos que passam atestados falsos, criminosos que se safam com habilidade.

E a responsabilidade ? No caso de Felgueiras não é tanto a acção que comove mas o silêncio dos que agora apontam responsabilidades.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:39 PM  
Em defesa da Odisseia / contributos para o Cais-do-Sodré

Bem sei que a temática sobre a Anabela Mota Ribeiro terá prioridade cultural no Glória Fácil, mas abandonar o Tóquio ou o Jamaica é, para não utilizar termos «anabelianos», um desígnio nacional. É o que resta da verdade da «blogosfera», deste nosso sentir tão português. Um quase acto sexual em ponte para um certo estruturalismo, se me é permitida a liberdade poética.

Não quero ofender mas, para um emigrante que abandonou a vida do Jamaica em 1989, que nunca mais foi ao Tóquio desde aquela vez em 1990, a Odisseia tem de ser defendida. Foi lá que conheci Lou Reed (1984-1985), foi de lá que parti para o Texas, foi daquele Oslo que também fiz a pátria.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:49 AM  
22/Jan/2004
Sobre a colonização de Marte

Portugal deverá colonizar a parte administrativa. «Faremos algo de nível internacional», disse uma fonte não identificada. «A questão dos esgotos não será definitiva mas prometemos que não será possível cuspir para o chão ou estacionar em cima dos passeios» foi dito por uma televisão do regime.

A questão de um centro comercial marciano só terá resultados se conseguirmos construir ao lado de um hospital, escolas e cemitério. Este projecto é um orgulho nacional. Prometemos ainda 50 milhões de Euros do dinheiro público para o clube de futebol que publicite a nossa preparação para governar bem.

Dos nossos quarenta e três administradores todos são políticos profissionais. Temos um atestado de honra a provar que nunca trabalharam na vida.

A orientação da parte fiscal e os serviços de saúde também serão da nossa responsabilidade.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:22 PM  
posted by Antonio Joao Correia @ 5:19 PM  
Futuro de Portugal ou os símbolos das coisas

Eduardo Lourenço a vender bifanas na Mouraria. Guterres como vendedor ambulante, perto da velha feira de Carcavelos (ou do que dela resta). Soares como taxista de turistas japoneses, Freitas do Amaral, velho professor, como símbolo de telenovela mexicana. Paulo Portas como vendedor de pevides requentadas em algum jogo da II divisão de futebol. D. Duarte como bilheteiro da Carris. Figo como «project manager» de alguma empresa pública. Os nossos banqueiros na fila da caixa de previdência.

- E o Carlos Lopes, o que lhe aconteceu ? Estudará a metafísica das coisas ?
- E a Maria de Lurdes Pintassilgo ? O Cardeal Patriarca ?
- As bolsas de valores em Portugal ? O molho de um bife na Trindade ?

A saudade.

Não temos intelectuais. Não temos também muitos alfaiates que façam um fato por medida. Um fato para durar e não a porcaria pré comprada que se molda aos corpos.

Temos mulheres bonitas. Temos muitas.
posted by Antonio Joao Correia @ 1:54 PM  
21/Jan/2004


Ano novo chinês ! Bom ano !
posted by Antonio Joao Correia @ 6:48 PM  
Davos, the Portuguese power

Não se arranja uma ementa portuguesa em Davos ?
Bacalhau com todos ?
Um cozido ?
Migas ?
Polvo frito ?
posted by Antonio Joao Correia @ 5:49 PM  
Molduras em Portugal
Quem compra uma moldura para a Air Luxor ?
Rigor na gestão da coisa pública ? Habilidades?
posted by Antonio Joao Correia @ 5:33 PM  
20/Jan/2004
Introdução: teoria geral do balcão de alumínio, "Green Sands" e a "Laranjina C" (subsídios para um estudo)

Certa doutrina aponta o fim dos anos setenta. Testemunhas nunca identificadas sugerem alguma tasca de Alfama no princípio dos anos oitenta. Um autor alemão de origem alentejana jura que foi numa sessão cultural para emigrantes, certamente subsidiada por algum partido político. A dúvida persiste.

Assumi derrota quando os «meus» cafés de Lisboa, os que não fecharam, se transformaram em manjedouras de alumínio. Alguns apresentam vidros que cobrem a parte refrigerada, presumindo os melhores académicos que servirão para dormitório biológico de iogurtes, bolos de bolacha, gelados espanhóis, cervejas nunca frígidas e uma bebida intragável que quase desapareceu da vida colectiva portuguesa: "Green Sands".

"Green Sands" terá chegado na linha do habitual desenvolvimento internacional de Portugal e desde cedo se converteu num estilo de classe, algures entre as festas no Palácio de Belém, um congresso de delegados de propaganda médica, sessões para sócios do Futebol Clube do Porto, festas de algum sindicato com professores de sandálias e peúgas brancas e os bailes da Casa do Alentejo na rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa.

Sem qualquer fundamento defendo que o estranho desaparecimento da " Green Sands" segue a teoria da conspiração que levou à eliminação da "Laranjina C" do universo lusitano da qualidade nos produtos oferecidos ao consumidor.

Maçonaria, Opus Dei, atentado contra Sá Carneiro, tráfico de armas, defensores da despenalização do crime de aborto, defensores do futebol espectáculo, tudo serão hipóteses a considerar pelos mais reputados cientistas dos partidos representados na Assembleia da República. (continua).

posted by Antonio Joao Correia @ 6:41 PM  
John Coltrane, Azores revolution and the sex

A peça não teve sucesso. Qualquer comentário sobre a qualidade será excessivo. Era novo, anos oitenta e seria o único dramaturgo «wanna be» que não desejava ser actor em Toronto ( e ir para LA seria impossível). A estrela da companhia tinha 80 anos e filmara com Michael Cimino, talvez uns dez minutos, no papel de um mafioso asiático ( Ano do Dragão???). Duas checas que vomitavam para não engordar faziam a parte açoriana ( «we will be models Antonio, so we just have to look good, eating is secondary»).

O patrocinador, meu irmão da Jamaica, tinha questões com a ordem e a lei. Não só o patrocínio não apareceu como tive de contratar músicos que odiavam Coltrane mais «do que prometia a força humana». E lá fomos, e lá estreamos numa «coisa» da Queen St. Juro que tivemos mais de 50 pessoas na plateia, entre inimigos e amantes.

A diva, entretanto, decidiu acompanhar os Barnaked Ladies ( que tocavam na rua enquanto fingíamos os ensaios) e nunca mais a vimos, salvo num episódio dos Sopranos vários anos depois ( tirei uma fotografia com a Sophia Millos só para me vingar).

Até hoje não sabia o que tinha escrito e qual a mensagem. Até hoje, pois a minha querida agente diz que vamos escrever outra vez a pior peça de teatro que alguma vez já foi pensada, estudada e produzida: " the play John Coltrane, Azores revolution and the sex" is back!!!
posted by Antonio Joao Correia @ 5:13 PM  
A queda para o atestado

Gosta-se de atestados em Portugal. Atestam-se muitas doenças que não existem. «Justificam-se» faltas com atestados. Até nos exames escolares se falta por atestado.
E, os ditos atestados médicos começam sempre «sob minha honra». Todos verdadeiros, pois se fossem falsos a justiça teria funcionado, como funciona sempre na pátria. Com complexidade e uma manobra de habilidade que, se não impressiona, deve comover.

É preciso um atestado para cumprir a «choldra». Há um gosto pelo papel que diz qualquer coisa, uma defesa, quase o espelho da nação convertida ao expediente como forma de progresso.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:39 AM  
19/Jan/2004

O Iowa deu a vitória a Kerry. Dean, onde andas ?
posted by Antonio Joao Correia @ 7:17 PM  
Ano Novo chinês. É favor celebrar a semana toda !

Na quinta-feira lá estarei, com os meus ilustres companheiros das «guerras matemáticas». Como gosto de almoçar "Dim Sum" é sempre uma boa oportunidade para discutir política na vertente mais humorística que conheço. Estudiosos do marxismo na juventude, estes meus amigos sabem tudo sobre os mercados de valores e a decadência sensual do capitalismo...Talvez por isso escolheram a América do Norte.

Quando lhes explico que a comida chinesa em Portugal é quase toda «aldrabada», para ter o gosto que os portugueses esperam que seja a comida chinesa, eles riem-se à gargalhada...

É verdade, a comida chinesa em Portugal é tudo menos chinesa, sendo inventada para satisfazer a imaginação Lusitânia. Mas não se pode dizer tal «verdade» às pessoas, pois elas não acreditam...Pelo menos em Portugal...Provavelmente será por causa dos ingredientes, mas os restaurantes chineses (especialmente em Lisboa) deveriam dizer: comida com leve inspiração chinesa, nomeadamente de Cantão...
posted by Antonio Joao Correia @ 6:17 PM  
Fundamentalismos

Entre as críticas que nunca fiz às autoridades portuguesas conta-se o elogio público ao cancro do pulmão.
Em Portugal fuma-se por todo lado, especialmente em lugares públicos fechados como restaurantes e aviões. Sim, aviões. Uma vez, ia a caminho de Ponta Delgada, vindo desta América profunda, quando tive, como mortal biológico, de ir à casa de banho na «frente» do «Airbus». E eis que vejo vários «VIP» da nossa terra a fumarem o seu cigarro, como quem está no exercício de um dever constitucional de arrogância e vaidade. Ou seja, a besta (termo adequado) do comandante autorizou que os «VIP's» fumassem num voo internacional, violando as mais elementares regras de saúde e quem sabe se de segurança na navegação aérea. Tudo normal, por tudo ser encarado com normalidade numa terra onde quem não fuma tem de fumar passivamente.

E se fossem fumar para o raio-que-os-parta ?

Desculpem, fumar é uma coisa nojenta, um direito pessoal(?). Eu não tenho que fumar quando estou num restaurante ou quando regresso à pátria de avião. Não tenho.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:09 PM  
Discursos sobre o cansaço

A queda para os discursos dos representantes de Portugal cansa.
Cansa ouvir uma leveza, uma aflitiva leveza.
Vejo na televisão pública caras que são sempre as mesmas nos aplausos aos discursos.
Até já nem posso ouvir falar o Bastonário da única Ordem a que pertenço. Cansa.
Aquele da terceira fila nunca falha uma sessão solene.
(sessão solene: e será para levar a sério uma «coisa» que se identifica como sessão solene?).

Até a discussão via Abrupto sobre as traduções de Jorge de Sena cansa(m). Que importa que o grego de Sena fosse mais um inglês aprendido no Brasil. Está bem, importa, mas cansa, como os discursos. Cansa.
posted by Antonio Joao Correia @ 1:08 PM  
Visitantes indesejados

A polícia política açoriana, pelos seus agentes de serviço na «blogosfera», visitou esta casa. Tanto gostou que voltou.
Sem falsas modéstias posso dizer que é sempre um prazer ter a visita traumatizada, curiosa, dos fascistas; dos fascistas que tomaram ou tentaram tomar conta da minha terra. Pois.
Espaço de entretenimento e variedades, aplica-se o princípio da territorialidade. Por outras palavras: são indesejados.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:48 AM  
18/Jan/2004

Os museus da vida são, ou deveriam ser, assim, quase todos os dias.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:57 PM  
Robert Frost, também poeta decente

The Road Not Taken

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
R.Frost
posted by Antonio Joao Correia @ 5:50 PM  
Carta aos açorianos livres

Até quando ?
posted by Antonio Joao Correia @ 5:35 PM  
17/Jan/2004
José Carlos Ary dos Santos, poeta decente

Desespero

Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.

Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.

Não fui eu que te quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu

A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o espermen que te dou, o desespero.

José Carlos Ary dos Santos
posted by Antonio Joao Correia @ 9:11 PM  
16/Jan/2004


Starbucks, Ikea e o sexo no "Cooler" (contradições)

Tenho um "Starbucks" ao pé de casa. Fui em tempos cliente. Mas devo protestar pelo facto de terem chegado a Paris, pois certas cidades têm o dever moral de ficar imaculadas do mundo, desse mundo que não sabe distinguir o que é um café de uma manjedoura em contradição.
Chamem-lhe egoísmo mas gostaria de ver a Europa civilizada livre desta América. Quando chegar a Portugal, e vai chegar, o "Starbucks" será a visão "Macdonalds" do café para ignorantes com bom coração. Deve ser snobismo mas esta notícia é insuportável.
José Gomes Ferreira, poeta dos cafés de Lisboa, onde estás ?

A abertura de uma loja "Ikea" nos subúrbios de Lisboa, salvo erro em Março, é uma boa notícia. O negócio das mobílias em Portugal é, por vezes, uma roubalheira legalizada. Agora vamos ver: qualidade, bons preços e bom gosto. Com dezenas de anos de atraso, a Suécia que triunfou na América irá vender aos portugueses conforto.
É, tenho esta teoria que as casas portuguesas não são muito confortáveis, são frias. Apesar de construías em madeira, as casas da América são «cozy».

Gostei do "Cooler" pois é um filme muito bem escrito, mesmo com um regresso a cenas de sexo sem muito pudor. Ressalta o poder da purificação do amor como salvador para quase tudo, inclusive para a falta de sorte no jogo. Talvez represente o azar como a metafísica dos orgasmos premeditados ou aquilo que se passará nos casinos das vidas sem Deus de lotaria.
posted by Antonio Joao Correia @ 6:39 PM  
Jornalismo português, a árvore e a floresta ?

A justiça portuguesa que não existe. A voz dos donos. Rasgos em busca de qualquer coisa, desde que não seja liberdade e consciência. Temos recursos via carta dos leitores.
Não serão todos iguais mas mas quem sabe distinguir ? Será por alguns se conhecerem dos favores ?
As notícias da política, da nossa política fazem 80 % do nosso jornalismo, saloio, descaído mas com boa vontade, à espera de um sorriso.
Durante anos pensei tratar-se de uma conspiração organizada, solidificada na busca da verdade oficial.
Depois de passar pelo activo, fiquei convencido que pecara por defeito nas minhas suspeitas.
posted by Antonio Joao Correia @ 3:18 PM  
15/Jan/2004
Intimidades em versão James Joyce, será que James Taylor vive, Mercedes na América ?

Teve de ser. Odeio comprar roupa, ficar por ali a consumir, como quem acredita num Deus pronto a vestir. Mas desta vez , mais uma vez, tivemos de ir.
Com coragem e olhando a guerra de frente depois de várias horas, o resultado, ainda que modesto, poderá ser revelado, na grandiosidade e importância que engloba: umas calças, duas camisas e uns sapatos.
A primeira hora prometia, pois compro sempre as mesmas calças, as mesmas camisas e, para provar a falta de imaginação, os mesmos sapatos. Depois o tédio. Os nervos. O desespero. Canso-me de não variar. Não vale a pena.
Como emagreci ou engordei o número das calças já não foi o mesmo. Como se sabe, esta informação é relevante para o futuro da humanidade. E acabou.
No regresso ouvimos, na rádio, numa rádio da América, James Taylor.
- James Taylor ?
- O que lhe aconteceu ?
Será que vive em Los Angeles, será que compra calças, as mesmas camisas, uns sapatos ? Não. James Taylor já deve ter morrido de qualquer coisa. «Fire and Rain». Acho que é o nome. Uma canção tipo festa do Avante em versão de Centro Comercial das Amoreiras, mas uma boa canção, honesta e sentimental.
- Acho que está vivo, mais velho, mas vivo.
E de repente, Mercedes Sosa na rádio; uma rádio desta América sem fim, passa a voz de Mercedes Sosa e vejo as montanhas. Se Mercedes está na América o mundo passa de um dia qualquer.
posted by Antonio Joao Correia @ 5:59 PM  
Monster
Quem diz que uma actriz bonita não pode ter talento.
Filme sobre o horror da mente humana, as consequências da infância. Não sei se gostei. Talvez imagine um Portugal com excessos de monstros onde a América fica em lugar secundário.
Não é tanto a evidência da maldade humana mas o espaço onde reside a dúvida, a miséria da redenção de uma condição humana sem remorso.
Um filme estranho, violento.
Talvez um filme sobre os limites da solidão humana.

Charlize Theron nos tempos de modelo ou na luta para ser uma actriz.
posted by Antonio Joao Correia @ 12:34 PM  
O pior Presidente

Sampaio e os seus discursos!
Estamos com o pior Presidente da República desde o 25 de Abril. Nem Costa Gomes foi tão longe nesta forma alegadamente portuguesa de nada dizer. Já não bastam as tentativas de influenciar politicamente processos criminais em curso, de ser oposição tonta a um governo fraco, como insiste nas frivolidades baseadas em inutilidades de um Portugal que sempre ajudou a construir.
Este Presidente explica a razão, como um resumo de excelência, da queda para o atraso e pobreza cultural da pátria.
Isto não é esquerda mas o espelho da «choldra»!
posted by Antonio Joao Correia @ 7:38 AM  
13/Jan/2004

Ficção de Modigliani a partir, gostaria eu, da ilha de Santa Maria. São as mulheres que não morreram, a poesia.
Poderia também ser em Lisboa. Em algum palácio do Bairro Alto. Ou em qualquer lado.
posted by Antonio Joao Correia @ 2:13 PM  

Não sei das relações de E. Munch com os Açores, mas esta melancolia é a mesma que vi, que vejo.
posted by Antonio Joao Correia @ 2:05 PM  
12/Jan/2004
Do tempo. Remorso da falta de fé.

No desenvolvimento da ausência. Jesus Maria.
Vejo tantas pessoas a rezar. É do sexo.
Ateus. E a fé aqui tão perto. Da matéria.
Não me faças chorar, da tua sedução ficamos
Em paz, vendo a alucinação.
Suave e doce, era a tua voz, como da substância
Que faz o itinerário dos fluidos
Aqueles, Jesus Maria Madalena
Da matéria, o que resta.
Ajuda a quem te pede, a fé,
Do tempo a rezar. Do teu amor.

Vi a luz perto de Deus. A falta de fé.
Suave e doce. O que resta.



posted by Antonio Joao Correia @ 6:29 PM  

21 Grams, o melhor filme deste tempo. O que é a vida humana ? O peso do amor ?

posted by Antonio Joao Correia @ 3:38 PM  
Spinoza e o esquecimento ?

Ao dizer que não existem filósfosos portugueses, cometi o pecado. É verdade, apesar de estrangeiro, Spinoza era português. Ou filho de portugueses. Ou um português que viveu ausente de Portugal. Pecado.




posted by Antonio Joao Correia @ 3:23 PM  
Escrever como Henry James

The Beast in the Jungle

(...) He accepted her amendments, he enjoyed her corrections, though the moral of them was, she pointed out, that he really didn't remember the least thing about her(...).

posted by Antonio Joao Correia @ 2:30 PM  
11/Jan/2004
Ressentimentos algo confusos. Mitos portugueses da modernidade.


Lobo Antunes em inglês, pela mão de Zichard Zenith tem um ar de literatura latino-americana. Mesmo uma boa tradução não consegue devolver alguns ambientes. A solução não é fácil mas o Camilo Castelo Branco que nos faz respeitar a lógica da linha «Brandoa-Cacém» na literatura portuguesa é o autor português mais lido na América do Norte. Mais do que isso: é respeitado pelos académicos que fazem o circuito do croquete literário, pelo que a tradução de Zenith deveria merecer um «Nóbel», «Óscar», talvez uma condecoração no 10 de Junho.

Li o «Equador» do Miguel Sousa Tavares. Tinha o livro em lista de espera mas só agora tive tempo. Sem muitos rodeios aqui vai: estamos na presença de um romance menor, moldado para vender bem num país atrasado; sem sabor, paixão, é um livro chato e longo.

Dizem-me que o Vasco Pulido Valente já criticou a obra em termos algo violentos, que a crítica que precisa da TVI está de joelhos perante a grandiosidade da obra, do génio.

Não sei. Mas depois da literatura leve, temos a literatura para a classe média dos centros comerciais. Lili Caneças deveria escrever romances. De repente a Lili e o Miguel serão a mesma pessoa. É a inveja do sucesso. O repúdio do Herman José respeita a mesma teoria.

É, também levei anos a perceber que o Santana Lopes, Edite Estrela, Manuel Monteiro, Carlos Carvalhas, o Filipe Lá Féria e a Margarida Rebelo Pinto eram todos a mesma criatura, vestidos de igual.


posted by Antonio Joao Correia @ 8:05 PM  
Pacheco Pereira, o rei da blogosfera portuguesa, queima livros. A explicação colhe, mas são livros Senhor, são livros...
posted by Antonio Joao Correia @ 2:37 PM  
De Kant ao Portugal real

A patetice Lusitana em torno das notícias/comentários sobre a morte do filósofo Norberto Bobbio, diz-me de um segredo nunca revelado: não há filósofos em Portugal. Ou da língua, da falta do rigor, do jeito para o improviso, negócios com batatas, irrelevância da filosofia, mas a coisa mais próxima que temos é uma criatura de nome Valentim Loureiro que esta semana inaugurou a urbanização «Doutor Durão Barroso».
posted by Antonio Joao Correia @ 9:51 AM  
Vómitos, poemas , o cabelo e algo sobre Paris Hilton ( subsídios para o conto português)

Uma das vantagens de não se viver em Portugal é a felicidade da distância quando a choldra entra na sua intimidade de auto fecundação. A distância parece que atenua o cheiro. Acabo de ler o "Diário de Notícias", o "Público" e apetece-me vomitar. Leio os jornais dos Açores e a repugnância continua.
É a normalidade da hipocrisia de Portugal e eu continuo amuado. É assim, esta coisa. Nada muda.

Acho que me apetece fazer uma revolução ou, algo mais banal, ser conservador.
Provavelmente ficarei a fazer poemas medíocres o resto da vida. Peças de teatro sem actores. Romances que não saem de Vila do Porto ou Los Angeles.

Cortei o cabelo muito curto. Meu Deus, de repente fiquei cheio de cabelos brancos. Sem aviso. Os meus alunos devem ter razão: Paris Hilton é o símbolo da modernidade e eu não sabia. É a idade.
posted by Antonio Joao Correia @ 1:17 AM  
9/Jan/2004
O aumento do pão / Já não gosto de Manuel Alegre / A moral

Passou ao lado das emoções fortes, mas esta semana o aumento do pão poderia ter sido o grande tema nacional.
Como uma espécie de substrato mal amado quando comparado com o rigor das notícias sobre a pedofilia, o aumento do pão seria a vertente lógica da ligação com a realidade e mais uma prova de que vivemos em democracia. «Em orgasmo democrático», como diz Fradique Mendes depois de passar por um dos nossos novos estádios de futebol.
Para ser sincero esperava uma comunicação erótica por parte do senhor Presidente da República em relação ao alegado aumento do pão. Não uma comunicação habitual, enigmática, para salvar o imperceptível, mas uma comunhão colectiva, um discurso a lembrar as profundezas intelectuais de um Santana Lopes ou a literatura subsidiada pelo Governo Regional dos Açores para quem lhes lambe o cu. Um discurso que tanto comoveria peregrinos a Fátima, dirigentes do futebol subsidiado, organizadores de festas na diáspora, beatas em desespero ciático e vendedores de lotaria do Rossio. Mas nada. Sampaio não comentou o aumento do pão.
Tive esperança que o procurador-geral da República falasse. Como sempre a defender a legalidade democrática, a história da justiça acusatória portuguesa, com classe, preparação, enfim, sem aquela queda para a prescrição literária que tanto caracterizava outros sistemas. Mas também nada se ouviu sobre o pão. A não ser aquele silêncio, um «silêncio pesado de quem, se não sabe, poderá saber», como sussurrou Fradique numa homenagem aos nossos polícias no Iraque.
Procurei por comentários dos nossos melhores como Fátima Felgueiras, padre Frederico, Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira e os injustamente detidos ou acusados presos políticos dos nossos dias, mas apenas encontrei o deserto, a ausência de qualquer posição oficial.
Estaria o tema nacional do aumento do pão a ser vítima de censura ? Existiria má vontade ? Forças organizadas ? Uma cabala ? Extrema direita ? Maoistas?
Bem sei que Manuel Alegre escreveu, naquela prosa esboroada que a pátria está em perigo e que ele foi resistente, o que poderá ser uma ligação genérica ao assunto. Mas eu fartei-me, já não gosto do Manuel Alegre, das citações, da voz poética que só se revolta quando lhe convém. É uma revolta folclórica, oportunista. Que enjoa por ser de uma sinceridade com a data de validade esgotada. Nem em Argel. Na Curraleira, em Havana. Pois.
«Pesadelo ? Mas então nós andamos a sofrer isto durante anos e anos e só agora é que este gajo cita James Joyce», gritou Fradique quando insultava os comentários de Mário Soares.
E nada. Bem procurei mas nada. Apenas esta mudez de Portugal. E a moral. Eles agora falam em moral.

posted by Antonio Joao Correia @ 7:57 PM  
Regresso

A pedido e com vontade, regressam as crónicas.

posted by Antonio Joao Correia @ 7:53 PM  
8/Jan/2004
Nos Açores também.

E as vítimas são, para os senhores, figuras secundárias.
E o silêncio.
A podridão dos apoios às crianças por parte dos órgãos de governo próprio da Região Autónoma dos Açores.
Autonomia de merda. Pois.
Miseráveis ( perdão pelas palavras).
Agora vão dizer que estão preocupados.
Que a culpa é das famílias pobres.
Da liberdade de imprensa ( que não há nos Açores).
Irão fazer comissões.
Irão à mais corrupta televisão regional tentar não perder votos (mais nada lhes faz sofrimento).
Irão lavar as mãos. Tentarão controlar os danos políticos.
Prometerão tudo.
Irão beijar órfãos. Irão nas procissões religiosas.
Os pobres serão ajudados.
Mais subsídios.
O povo gosta. Gosta da esperteza.
O espectáculo do abuso. Dos pobres.
Sem infância. Sem nada.
Carregam a coroa do Espírito Santo.
Dirão de tudo para não perderem influência eleitoral.
E sabiam.
Acredito que sabiam. Percebo, agora, que sabiam e nada fizeram.
Como nunca fazem. Como nunca perguntam.
Como perseguem quem diz que não. Quem incomoda.
Estão preocupados se irá ter consequências eleitorais.
Os abusos atrapalham o sucesso partidário.
Merda outra vez.
Mestres do silêncio. Predadores, também das omissões.
As vítimas não contam, estatística. Piedade.
Estão é preocupados com as eleições. Estão.
As crianças sabem. Nos Açores também.
posted by Antonio Joao Correia @ 7:38 PM  
Secret playmates

Apesar de ser profissão em que estou de férias, aqui ficam alguns pensamentos sobre a justiça portuguesa. Ou do que resta dela.

A ordenação das relações sociais segundo a justiça é irrelevante para um modelo de poder parlamentar solidificado na ditadura do critério da oportunidade política. Políticos que fazem leis medíocres não podem esperar muito melhor na aplicação concreta.

Nesta ditosa pátria as leis dão boas molduras.

O 25 de Abril, nos seus direitos, liberdades e garantias consagrou formas nunca interiorizadas por muitos dos intérpretes judiciais. Não só ao nível criminal, agora na moda, mas também no mundo do direito civil.

A justiça viveu de expedientes, da burocracia, da esperteza das omissões.

No meio da selva, é preciso reconhecer que, por vezes, se faz justiça.

Temos, miseravelmente, a justiça dos pobres, dos ricos, dos políticos e das pessoas que se movimentam bem no sistema.

Como no futebol ( coincidências extraordinárias), há um sistema na justiça portuguesa. Nos inquéritos, nas investigações, nas causas, nas audiências de julgamento, nas sentenças existirá a lógica da «roleta russa», do jogo experimental. O direito, as ciências jurídicas, serão um acessório.

Temos ainda nichos de influências: a maçonaria, os católicos, os homossexuais, os protestantes, os judeus, as lésbicas, os de direita, os de esquerda, os do dinheiro antigo, os novo-ricos, os do partidos, os dos ódios, etc.

Portugal inteiro, pelos vistos, tenta influenciar.

Teremos uma justiça putativamente influenciável. Da cunha, do compadrio. Uma justiça que imita o poder político que tem feito escola de sucesso. Mas o que existirá aqui de diferente ?

Não terá a justiça o direito a reflectir o país que somos ?
posted by Antonio Joao Correia @ 4:14 PM